quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sozinho, 2h38minutos, todos dormem

À noite, quando chego em casa,
Disperso-me das roupas e olho ao redor,
Pelas janelas de vidro do apartamento,
Pergunto-me: - Será que só eu estou acordado neste momento?
Ouço apenas os ressunares, que me respondem com um agudo sim...
E sozinho, sem sono, sinto-me perdido... Nem triste, nem feliz...
Como se diz: - Apenas uma lágrima que cai e logo é camuflada,
numa longa gargalhada de desespero, ansiedade e medo.
Um pensamento sombrio vem à mente,
Este, que estava dormente, retorna com força e vigor.
E tal qual a decisão é tomada, sou desprovido do amor,
Que sinto por mim...
Será este o fim de alguém que tantou amou?
Que tanto se doou e sempre lutou para ser feliz?
E a noite mim responde com um silêncio.
E, com este grito, o meu coração acorda
E descompassadamente bate forte no meu peito...
Acomodo-me no sofá, para suportar o aperto.
Que parece me devorar de dentro para fora.
Só então, deixo-me ir pelo mundo afora.
Se sonho, não sei, apenas me aconchego no abraço,
Que me embala em suas plumagens.
E me deixo levar... Entrego-me à sorte,
E na morte, apenas um sorriso, antes da escuridão.
E na claridão do dia, sou despertado, com uma voz na televisão.
E percebo, mais uma vez, passei a noite sozinho dormindo no sofá.

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