segunda-feira, 5 de outubro de 2009

SEM RUMO, SEM ESPERANÇA

Acordo-me, na madrugada,
Em mais um lugar desconhecido.
Para mais um dia em minha vida.
Como qualquer outro dia,
Sem esperança, sem rumo,
Sem um objetivo a seguir.
É um lugar conhecido de outrora,
Então, coloco-me em frente dele,
Ali, na representação do mar...
E nesta praça,
Já tão acabada quanto o coração de um ébrio sonhador.
Neste mesmo lugar nos encontrávamos,
Para conversarmos sobre tudo, e, sobre nada...
O importante era estar com você.
Era estarmos juntos a todo momento.
Era expressar para você todo o meu amor.
E, apreciar o seu, através de abraços,
De beijos e declarações...
Um amor que achava ser verdadeiro.
Que pensava ser para sempre...
Sofro recordando o passado.
Dá-me vontade de gritar.
Sair por aí, sem espeanças, sem rumo,
Tal qual uma folha seca
Sendo levada ao sabor dos ventos.
Então, levanto o rosto e vejo o mar
Formar ondas e jogar-se rumo aos rochedos.
Como esta saudade jogando-se rumo ao meu peito.
Como se fosse adaga afiada, elas me ferem.
Sinto uma dor profunda, a dor da solidão.
Então, sou jogado na lama do desespero,
E num eterno sofrer fugo para longe daquele tormento
Para afogar as mágoas em copos de cervejas,
Em um canto qualquer de um bar.
Entre tragos e choros durmo debruçado
Sobre a mesa, na embriaguez da perdição.
Acordo-me na praia.
Como cheguei ali, não sei,
Mas, mesmo assim é belo ver o sol
Apontando no horizonte.
Sinto seu calor fortalecer meus ossos,
E esquentar meu copo.
Fazendo sorrir meu coração.
Vejo sua luz vindo de encontro a mim,
Deslizando nas cristas cristalinas,
Das águas espumosas,
Até transformar-se em espumas na areia.
E, com esta luz, uma força invisível,
Me faz pensar no amor,
E sei que enquanto houver amor em mim,
Haverá sempre a esperança,
De um dia você volta...

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